sábado, 29 de setembro de 2007
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
sábado, 22 de setembro de 2007
Dias estranhos
Acordei num dia desconhecido.
Mecanicamente vejo o meu corpo ir em direcção à rua da loucura e nada posso fazer, a não ser obedecer.
Para onde eu vou, o tempo não existe, e para os hóspedes das paredes amarelas só existe o sol e a lua como orientação.
A maré dá à costa pequenos monstros que tem a morte como única certeza. Monstros que fazem planos para rebentar com o mundo, monstros que vêem caras através da chuva, monstros que não lembram o próprio nome e desconhecem mesmo o corpo que se amarra a eles.
Monstros que gritam agora e anjos que cantam depois... mas isto existe?
Rádio descontrolada, corredores frios e sem fim e sem luz que possa criar alento. Tendo levantar o véu do fumo de cigarros furiosos que me confundem, mas a espera desalenta e nada mais me resta senão vestir-me da loucura habitual.
Por sobrevivência manipulo-me a mim própria, passo a respirar loucura, doença, esperando o pôr-do-sol...
Vamos dar início à cerimónia.
In "Diário de um Louco"
By M. S.
Sem título.
Não minto que me quis morta.
Não minto que me quis esquecida deste doce e amargo tormento que carrego comigo. Voluptuosa adolescência que nas origens alimenta o gene que não se transforma por prazer, mas por coacção.
Chega deste sentir que tudo é belo na ausência destes meus olhos cravados. Chega deste cabelo escorrido e desalinhado. Quero esfriar este silêncio imposto das genuínas entranhas do ser. Quero ter a livre experiência de saborear o conforto dos lençóis numa noite quente de primavera... espreguiçar-me e procurar com o pé as partes mais frescas da cama, e ficar, sem mais.
Adormeço e volto a acordar. Abro os olhos desacreditada do mundo e penso que desisto de tudo, mesmo de mim. Não quero falar, nem ver. Não quero ter impulso, nem pulso. Cubro-me com a mortalha branca à espera do que vai acontecer. Espero. Espero. Desespero. Mecho-me na cama como se tivesse dominada pela bílis do mundo, doente e desconhecida.
Pergunto à minha senhora da solidão se o sol brilhará hoje para mim... Não me responde, não sinto nada. Apenas que estou condenada a respirar...
Mesmo assim, todo o nada que sou, sou eu e é meu.
15 de Junho de 2005
In "Diário de um Louco"
M. S.
Não minto que me quis morta.
Não minto que me quis esquecida deste doce e amargo tormento que carrego comigo. Voluptuosa adolescência que nas origens alimenta o gene que não se transforma por prazer, mas por coacção.
Chega deste sentir que tudo é belo na ausência destes meus olhos cravados. Chega deste cabelo escorrido e desalinhado. Quero esfriar este silêncio imposto das genuínas entranhas do ser. Quero ter a livre experiência de saborear o conforto dos lençóis numa noite quente de primavera... espreguiçar-me e procurar com o pé as partes mais frescas da cama, e ficar, sem mais.
Adormeço e volto a acordar. Abro os olhos desacreditada do mundo e penso que desisto de tudo, mesmo de mim. Não quero falar, nem ver. Não quero ter impulso, nem pulso. Cubro-me com a mortalha branca à espera do que vai acontecer. Espero. Espero. Desespero. Mecho-me na cama como se tivesse dominada pela bílis do mundo, doente e desconhecida.
Pergunto à minha senhora da solidão se o sol brilhará hoje para mim... Não me responde, não sinto nada. Apenas que estou condenada a respirar...
Mesmo assim, todo o nada que sou, sou eu e é meu.
15 de Junho de 2005
In "Diário de um Louco"
M. S.
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Sempre a aprender
Aprendi que não importa quanto eu me importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...Aprendi que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprendi que falar pode aliviar dores emocionais.
Aprendi que levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destrui-la.
Aprendi que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
Aprendi que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprendi que o que importa não é o que se tem na vida, mas quem você tem na vida.
Aprendi que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprendi que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam.
Aprendi que as pessoas com quem mais se importa na vida são tomadas de nós muito depressa.
Aprendi que devemos sempre deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas. Pode ser a última vez que as vemos.
Aprendi que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Aprendi que não nos devemos comparar com os outros , mas com o melhor que podemos fazer.
Aprendi que não importa onde já cheguei, mas onde vou.
Aprendi que não importa quão delicado e frágil seja algo, existem sempre dois lados.
Aprendi que leva muito tempo para me tornar a pessoa que eu quero ser.
Aprendi que se pode ir mais longe depois de pensar que não se pode mais.
Aprendi que ou se controla seus actos ou eles o controlarão.
Aprendi que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.
Aprendi que paciência requer muita prática.
Aprendi que existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar isso.
Aprendi que meu melhor amigo e eu podemos fazer qualquer coisa, ou nada, e termos bons momentos juntos.
Aprendi que algumas vezes a pessoa que se espera que o chute quando cai é uma das poucas que a ajudam a levantar-se.
Aprendi que quando estou com raiva tenho o direito de estar com raiva. Mas isso não me dá o direito de ser cruel.
Aprendi que só porque alguém não o ama da maneira que quer ser amada, não significa que esse alguém não o ame com tudo que pode.
Aprendi que maturidade tem mais a ver com o tipo de experiência que se teve e o que se aprendeu com elas do que com quantos aniversários celebramos.
Aprendi que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos os sonhos são disparates. Poucas coisa são mais humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprendi que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém. Algumas vezes tem que aprender a perdoar a si mesmo.
Aprendi que não importa em quantos pedaços o coração foi partido; o mundo não pára para que o conserte.
(William Shakespeare)
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo, que solidão errante até tua companhia! Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva. Em taltal não amanhece ainda a primavera. Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos, juntos desde a roupa às raízes, juntos de outono, de água, de quadris, até ser só tu, só eu juntos. Pensar que custou tantas pedras que leva o rio, a desembocadura da água de Boroa, pensar que separados por trens e nações tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos com todos confundidos, com homens e mulheres, com a terra que implanta e educa cravos.Pablo Neruda
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
O Gato
Dizem que conheces a eternidade.
Para mim serás sempre ela própria.
És senhor dos dias e dos espaços que habitas
Afinal, quem somos nós?
Teus donos ou teus servos?
No meu sonho os homens são apenas o corpo,
a cabeça e o espírito são de gato.
O homem apenas cumpre as regras que por vocês são ditadas
através do olhar frio e indiferente, onde apenas se percebe uma ranhura por onde se dilacera o coração.
Para mim serás sempre ela própria.
És senhor dos dias e dos espaços que habitas
Afinal, quem somos nós?
Teus donos ou teus servos?
No meu sonho os homens são apenas o corpo,
a cabeça e o espírito são de gato.
O homem apenas cumpre as regras que por vocês são ditadas
através do olhar frio e indiferente, onde apenas se percebe uma ranhura por onde se dilacera o coração.
Retrato
Rio-me. Choro. Fico histérica. Acalmo-me. Esqueço tudo o que algum dia aconteceu. Penso em tudo o que já aconteceu vezes sem conta. Observo-me ao espelho. Aprecio-me ao espelho. Apetece-me partir o espelho. Dispo a roupa e começo a dançar. Dispo a minha roupa e atiro-a para o chão. Ponho tudo de pernas para o ar. Deixo tudo onde está para que outra pessoa arrume. Apercebo-me de que afinal de contas sou sempre eu que arrumo tudo. Canto muito bem. Canto mal. Como coisas que não devia comer. Dobro-me e observo os meus músculos. Deixo de me dobrar e observo as minhas cicatrizes. Gostaria de saber como seria se fosse loira. Gostaria de saber como seria se fosse ruiva. Gostaria de saber como seria se fosse velha. Pinto-me como nunca o faria se fosse para a rua. Experimento roupas que nunca vestiria em público. Olho para os meus seios. Imagino-os maiores, mais pequenos, mais arredondados, mais firmes, menos firmes, mais bonitos, mais feios. Aceito os meus seios tal como são. Escondo-me. Respondo as pessoas e ganho. Tenho fantasias em que a estrela sou eu. Estico a pele da minha cara e imagino-me sem rugas. Pergunto-me se deveria fazer uma operação plástica. Esqueço a operação plástica e penso em algo muito mais barato. Grito comigo própria. Perdoo-me. Ensaio aquilo que irei dizer amanhã. Aumento o volume do rádio para não ouvir nada. Abro a torneira da água para não ouvir o rádio. Perco-me. Imagino-me numa ilha deserta. Imagino-me numa ilha deserta mas com outras pessoas muito atraentes. Rezo. Procuro os meus defeitos. Aceito esses defeitos e procuro outros. Faço caretas ao espelho. Vejo como é que fico com ar de sedutora, de amuada, de zangada, de surpreendida, de chocada, de impressionada, absorta. Tiro a minha aliança. Olho para mim nua. Olho para mim e gosto do que vejo.
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