sábado, 22 de setembro de 2007

Dias estranhos





Acordei num dia desconhecido.
Mecanicamente vejo o meu corpo ir em direcção à rua da loucura e nada posso fazer, a não ser obedecer.
Para onde eu vou, o tempo não existe, e para os hóspedes das paredes amarelas só existe o sol e a lua como orientação.
A maré dá à costa pequenos monstros que tem a morte como única certeza. Monstros que fazem planos para rebentar com o mundo, monstros que vêem caras através da chuva, monstros que não lembram o próprio nome e desconhecem mesmo o corpo que se amarra a eles.
Monstros que gritam agora e anjos que cantam depois... mas isto existe?
Rádio descontrolada, corredores frios e sem fim e sem luz que possa criar alento. Tendo levantar o véu do fumo de cigarros furiosos que me confundem, mas a espera desalenta e nada mais me resta senão vestir-me da loucura habitual.
Por sobrevivência manipulo-me a mim própria, passo a respirar loucura, doença, esperando o pôr-do-sol...
Vamos dar início à cerimónia.


In "Diário de um Louco"

By M. S.

1 comentário:

stylife disse...

Parabéns:) É lindo!