Sem título.
Não minto que me quis morta.
Não minto que me quis esquecida deste doce e amargo tormento que carrego comigo. Voluptuosa adolescência que nas origens alimenta o gene que não se transforma por prazer, mas por coacção.
Chega deste sentir que tudo é belo na ausência destes meus olhos cravados. Chega deste cabelo escorrido e desalinhado. Quero esfriar este silêncio imposto das genuínas entranhas do ser. Quero ter a livre experiência de saborear o conforto dos lençóis numa noite quente de primavera... espreguiçar-me e procurar com o pé as partes mais frescas da cama, e ficar, sem mais.
Adormeço e volto a acordar. Abro os olhos desacreditada do mundo e penso que desisto de tudo, mesmo de mim. Não quero falar, nem ver. Não quero ter impulso, nem pulso. Cubro-me com a mortalha branca à espera do que vai acontecer. Espero. Espero. Desespero. Mecho-me na cama como se tivesse dominada pela bílis do mundo, doente e desconhecida.
Pergunto à minha senhora da solidão se o sol brilhará hoje para mim... Não me responde, não sinto nada. Apenas que estou condenada a respirar...
Mesmo assim, todo o nada que sou, sou eu e é meu.
15 de Junho de 2005
In "Diário de um Louco"
M. S.
sábado, 22 de setembro de 2007
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1 comentário:
De génio e de louco todos temos um pouco. Quer-me parecer que, no meu caso, é mais de louco. :) Mas os loucos são mais interessantes, diga-se.
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