
O meu amor não cabe neste poema.
Há coisas assim, que não se rendem à geometria deste mundo, são como corpos desencontrados da sua arquitectura natural.
Este meu amor, é maior do que as palavras, é daí inútil a agitação dos meus dedos na intimidade das páginas.
Este meu amor, não se deixa dizer… é um formigueiro que acode aos lábios com a urgência de um beijo, evocando à flor da pele vestígios de uma explosão exemplar: a cratera que um corpo deixa ao levantar-se, mostra sempre um outro corpo vizinho.
O meu amor anda por dentro deste meu silêncio a formular loucuras com a nudez do teu nome. É um fantasma que estrebucha no dédalo das veias e sangra quando o encerram em metáforas.