segunda-feira, 1 de março de 2010

A bailarina (Márcia Silva 2008)

Caçador gentil. A sua cauda move-se com graça no chão enquanto enfrenta o céu.
Morte formosa que se veste com um fato malhado quando se aproxima da sua vítima.
Assassino brincalhão cujo abraço expressivo dilacera o coração da vítima.
Quando olhamos um velho com pesar e asco nunca pensamos como é que vamos ser quando essa idade se apresentar para nós. E, como é possível que sintam esta peçonha de mim?
Poderei acabar os meus dias no chão de um quarto frio com cheiro da minha própria urina, rastejando, dando ordem ao meu corpo para gritar, mexer-se, pedir ajuda, mas ele parece não obedecer. Morro mesmo. Na súplica por um fim melhor, mais digno, mais confortável e menos só. Só resta o meu sangue, a minha urina as minhas vísceras com a revolta de uma vida e, um corpo já morto à muito. Só, tão só que é morrer na pobreza de relações de bem-querer.
Por outro lado, pode o meu corpo ser persistente e constante mas o meu julgamento desertar de mim mesmo. Como se desistisse de me orientar neste mundo bravio e abandonasse este pedaço de carne ao sabor dos dias solitários. Vivo impregnado no meu próprio excremento. Não conheço outra forma de estar, apagou-se deste meu presente desagradecido de toda uma vida de vitórias chorosas e derrotas amargas.
Vou vestir-me para sair, não sem antes tomar café com os medicamentos. Mas, o que é que eu ia mesmo fazer?
Esqueci-me.

Auto retrato

(Márcia Silva 2007)


Borrão

(Márcia Silva 2009)


A minha pintura não pretende ser aquilo que eu vejo, mas sim aquilo que eu quero que seja visto. A minha poesia transformada em cores, traços e rabiscos. Aqui, haverá sempre improvisação
Mas antes disso, a minha reverência ao amigo Luís Alberto de Melo dos Reis Gavina, por tudo, apenas.
"Aquele que nada conhece, nada ama. Aquele que não é capaz de nada, nada compreende. Aquele que nada compreende é inútil. mas aquele que compreende também ama, repara e vê. (...) Quanto mais conhecimento existe de uma coisa, maior é o amor... quem imagina que todos os frutos amadurecem ao mesmo tempo que os morangos não percebe nada de uvas. "

Paracelso
"Os olhos falam tanto como a língua, com a vantagem de que a linguagem dos olhos, bão precisa de dicionário para ser compreendida em todas as partes do mundo"

Ralph Waldo Emenson